PRATOS
TÍPICOS:
O tempo, as condições geográficas e ambientais conseguiram brindar esta região
de um belíssimo património natural, e também de uma gastronomia rica, variada
e saborosa.
Assim, a gastronomia surge como a materialização do que se produz na região,
reflectindo o modo de vida sui generis das gentes do interior, possuindo uma
riqueza gastronómica constituída por pratos autênticos, que perduram ao longo
dos tempos e passaram de geração em geração.
Destas delícias há que realçar o maranho, que é feito com o bucho do cabrito
e as suas melhores carnes, arroz, hortelã, salsa e sarpão; o cabrito assado
no forno a lenha; as tigeladas, as filhoses, a broa de milho, as papas de carolo
e o bolo azeite.
- Maranho:
Lavam-se muito bem as peles (estômago dos cabritos) e estonam-se com água a
ferver, raspa-se com uma faca e esfregam-se com limão. Depois de bem lavadas
cortam-se em pedaços, de maneira a formar sacos que se cosem com agulha e linha
deixando uma abertura.
Migam-se dois quilos de carne de cabrito ou de cabra (quando mais nova e gorda
é a rês, melhor e mais saborosos ficam os maranhos), duzentas gramas de presunto
com a parte gorda e magra, e um chouriço magro. Tempera-se com sal, vinho branco,
azeite, um ramo de ortelã, salsa e sarpão finalmente picado e junta-se cerca
de meio quilo de arroz; mistura-se tudo muito bem, espera-se para tomar gosto
e deita-se, depois, o preparado nos sacos, tendo o cuidado de não os encher
muito.
Fecha-se a abertura dos sacos, cosendo-os com agulha e linha. Põem-se em água
a ferver abundante, cozendo durante uma hora a hora e meia.
DOÇARIA:
- Filhoses:
Utiliza-se para cada quilo de farinha de trigo uma dúzia de ovos, um decilitro
de azeite, uma colher de sopa de margarina, cem gramas de açúcar, um pouco de
aguardente, meia colher das de chá de canela, raspa de limão, um pouco de fermento
padeiro (desfeito em água fria) e uma pitada de sal.
Batem-se muito bem os ingredientes com as mãos até a massa fazer bolhas. Devem
molhar-se continuamente as mãos em azeite para não agarrarem à massa. Deixa-se
levedar perto do lume ou tapa-se com um cobertor se for época de frio.
Depois formam-se as bolas de massa, que devem ser esticadas nos joelhos sobre
o pano branco. Fritam-se em óleo bem quente. Servem-se ao natural ou polvilhadas
com açúcar e canela.
- Papas de carolo:
Leva-se ao lume quatro tigelas de água temperada com duas ou três cascas de
limão. Quando levantar fervura, junta-se uma tigela de carolo bem lavado.
Cozinha-se em lume brando, mexendo constantemente com uma colher de pau, até
o carolo ficar macio. Aos poucos junta-se um litro de leite e, por último uma
chávena de açúcar.
Deixa-se apurar bem. Ainda quente, deita-se em travessas de louça. Pode-se enfeitar
com canela.
- Bolos de Azeite:
Dissolve-se trinta gramas de fermento de padeiro num pouco de água morna, junta-se
um pouco de farinha e deixa-se levedar.
Deitam-se quatro quilos de farinha num alguidar, faz-se uma cova no meio para
onde se deitam muito bem misturados duas dúzias de ovos batidos com um quilo
de açúcar, meio litro de azeite morno, meio litro de leite, uma colher de chá
de canela, uma colher de sopa de erva doce e uma pitada de sal. Seguidamente,
o fermento levedado; amassa-se com as mãos até formar bolhas.
Deixa-se levedar perto do lume ou tapa-se com um cobertor se for época de frio.
Tendem-se depois como pão e vão ao forno a cozer.
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