.:: PERGUNTAS MAIS FREQUENTES ::.

  
 

 

 


 

Perguntas gerais sobre cães

O que é um cão de raça?

Uma raça é uma população, dentro de uma espécie, com uma determinada bagagem genética, distinta da de outras raças, e que determina determinado fenótipo (aparência) e determinadas aptidões e/ou comportamentos. 
 

O que é um cão de raça puro?

Um cão de raça puro é aquele em que, em gerações anteriores, não houve cruzamentos com indivíduos de outras raças e que, cruzado com um indivíduo da mesma raça (de sexo oposto, claro ...), dará cachorros dessa mesma raça, sem parecenças com outras raças. 

Ser puro não tem, no entanto, nada a ver com ser um bom exemplar da raça. Um cão de raça é tanto melhor quanto mais perto estiver da descrição do cão ideal, que é feita no estalão da respectiva raça. Anos de cruzamentos feitos sem controlo e sem aferição (Exposições, confirmação) fazem com que muitos cães ditos de raça apenas vagamente tenham as características essenciais das mesmas (basta olhar para os pseudo-Caniches, pseudo-Cockers, pseudo-Boxers, pseudo-Pastores Alemães, pseudo-Labradores, etc com que nos cruzamos todos os dias nas ruas e vemos nas revistas de animais). Não está convencido? Dê uma vista de olhos aqui
 

O que é o LOP?

LOP é a sigla para Livro de Origens Português. É um livro que está, em Portugal, a cargo do Clube Português de Canicultura (CPC) e é o único livro genealógico canino português reconhecido pela FCI, AKC e KC. Nesse livro são identificados e registados os cães de raça pura. Para um cão poder entrar no LOP é necessário que os seus pais estejam também registados no LOP ou noutro Livro de Origens reconhecido pela FCI e, obviamente, que sejam da raça (e por vezes também da mesma variedade) em questão. 

Os cães com registo no LOP têm ascendência conhecida até, pelo menos, à terceira geração. 

Em termos práticos, interessa salientar que o registo LOP é o único documento que atesta a pureza do cão já que comprova que todos os seus ascendentes pertencem à raça em questão, sem misturas com outras raças. Por isso, um cão que não tenha registo não pode ser considerado como "de raça" mas apenas "de tipo raça X" (aliás como já é contemplado em legislação estrangeira).
 

O que é o pedigree?

O pedigree é a árvore genealógica do cão. Os cães registados no LOP ou outro livro de origens têm ascendência registada pelo menos até à 3ª geração, ou seja conhecem-se, pelo menos, os pais, avós e bisavós. 

Por vezes ouve-se falar em "excelente pedigree" e relaciona-se com a maior ou menor abundância de Campeões no pedigree. No entanto, excelente pedigree é aquele que revela um determinado plano de criação e em que se usam linhas e reprodutores de valor. Desta forma, só as pessoas que estão "dentro da raça" e a conhecem bem estão habilitadas a reconhecer um bom pedigree. 
 

O que é o afixo?

O afixo é um "nome de família" que o criador regista a nível internacional, de modo a que mais ninguém o possa usar, e junta ao nome dos cachorros que "saem" do seu canil. Por exemplo, o nosso afixo é SEALORDS e todos os nossos cães têm esta palavra no nome. Um afixo é pedido e usado por quem tem orgulho nos cães que cria, e que quer ver o seu trabalho reconhecido pelos seus pares. Os "Bobby"s e as "Lady"s que andam por aí mostram que ainda há por aí muita gente que se escuda no anonimato de modo a que não lhes venham pedir contas pelo (mau) trabalho que fazem. 
 

Cão de raça vs rafeiro

Quer os cães de raça quer os rafeiros têm as suas vantagens e desvantagens. 

O rafeiro é um cão único, não há no Mundo outro igual a ele, e portanto é o cão ideal para pessoas que não gostam de ter o mesmo que as outras. Embora a grande maioria dos rafeiros sejam excelentes cães de companhia, é impossível saber, sobretudo se for adoptado em cachorro: 

  • qual o aspecto que terá em adulto (pêlo curto, comprido, sedoso, áspero; orelhas direitas, orelhas caidas, etc)
  • qual o tamanho que terá em adulto (tanto mais que, normalmente, pelo menos o pai é desconhecido); aquela bolinha de pêlo com 2 meses pode bem acabar por vir a ter a envergadura dum S. Bernardo ...
  • qual o temperamento
  • quais as aptidões para realizar determinadas tarefas (nomeadamente guarda, caça)


No cão de raça não há surpresas de maior relativamente ao tamanho e tipo de pêlo. Por isso, ao adoptar um cachorro de determinada raça já sabe à partida que terá que contar com um determinado tempo para tratar (ou não) da pelagem do cão, um determinado orçamento para a comida e dispor de determinado espaço e/ou local para passear e brincar com o cão. A maioria dos indivíduos da raça tem também um comportamento e aptidões "próprias" da raça, pelo que, querendo-se um cão para determinada função (pastoreio, guarda, caça ou apenas companhia) só um cão de raça poderá assegurar o cumprimento desse requisito. Além disso, dado que se conhece a mãe, o pai e muitos dos ascendentes, poderá ficar-se com uma ideia mais precisa de como será o seu temperamento e a sua saúde (vidé ponto seguinte). 

Se pretender o seu cão com fins desportivos/competição (agility, obedience, mondioring, etc), e embora essas actividades estejam abertas a cães sem raça definida nos Clubes de Treino ou em provas sem carácter oficial, saiba que só os cães registados em livros de origens podem disputar campeonatos ou obter títulos oficiais. 

Por outro lado, convém não esquecer que as despesas correntes de manutenção do cão (alimentação, desparasitações, vacinações e outras idas ao veterinário, seguros, hotéis, etc) são iguais quer se trate de um rafeiro ou de um cão de raça. 
 

Os cães de raça são mais frágeis, precisam de cuidados especiais

Uma ideia corrente e pré-concebida é a de que os cães de raça são mais débeis e atreitos a doenças, e que precisam de alimentação e/ou cuidados especiais. Se bem que, quanto a alimentação, certas raças gigantes precisem de acompanhamento adequado durante o período de crescimento, quanto ao resto esta ideia não tem qualquer fundamento e é perfeitamente errada. Basta pensar que a maioria das raças de cães foram desenvolvidas para executar determinados serviços (pastoreio, guarda, caça), ainda antes do séc. XX (muitas delas têm mesmo origens tão longínquas como o tempo dos Faraós). Nessa altura, os proprietários de cães eram sobretudo gente humilde (pastores, agricultores, mineiros) e não havia nem médicos veterinários nem meios, remédios ou mesmo vontade em tratar animais doentes (mesmo nos nossos dias isto não é assim tão pouco frequente ...). Por isso, apenas os exemplares mais robustos e saudáveis sobreviviam e eram utilizados como reprodutores. Os exemplares actuais herdaram essa característica e a maioria dos cães de trabalho são cães que não fazem a fortuna de veterinários, uma vez que basicamente só necessitam de vacinação e desparasitação regulares. 

Muitas pessoas baseiam esta opinião no facto de, associadas aos cães de raça ou a certas raças em particular, se falar muito em doenças do foro genético quando se fala de cães de raça. Quanto a isto, há que realçar o seguinte: 

- relativamente ao Homem, onde não há preocupação em manter raças puras e onde a consanguinidade é socialmente reprovável, estão identificados vários MILHARES de doenças de natureza genética enquanto que no cão apenas estão de certeza referenciadas como genéticas cerca de 400 doenças (e, portanto, o cão é basicamente uma espécie sem grandes problemas). 

- TODAS as raças de cães (e mesmo os rafeiros) estão sujeitos a TODAS a doenças genéticas  próprias da espécie (há rafeiros com displasia, assim como há rafeiros com epilepsia, rafeiros com problemas oculares, etc). 

As doenças genéticas são referenciadas e estudadas no sentido de compreender a sua natureza, métodos de diagnóstico precoce e, sobretudo, métodos de erradicação, de modo a obter cães saudáveis. Por isso só faz sentido estudar os casos relativos a cães de raça (para quê estudar o caso do Bobi? Os rafeiros não deverão reproduzir-se e, portanto, idealmente, o problema acaba ali). 

Certo é que certas doenças são mais prevalentes em certas raças que outras, muitas vezes devido a consanguinidade excessiva ou deriva genética. No entanto, os verdadeiros criadores trabalham no sentido de reduzir o problema e cada vez mais criar cachorros saudáveis e que façam as suas famílias felizes. A aquisição de um cachorro num criador consciente é portanto o primeiro passo a dar para ter um cão sem problemas de saúde futuros. 
 

Onde é que posso comprar um cão de raça?

Embora se encontrem cães de raça à venda em lojas de animais (ou através destas) nunca é demais repetir que UM CÃO DE RAÇA ADQUIRE-SE NUM CRIADOR ESPECIALISTA nessa raça. 

Antes de comprar um cão é fundamental conhecer os pais (ou pelo menos a mãe, para avaliar do carácter que o cachorro terá no futuro), conhecer em que condições foi criado (quer em termos sanitários quer em termos de socialização) e garantir que haja sempre alguém disponível para prestar qualquer esclarecimento ou ajudar em qualquer coisa que surja depois do cachorro ser levado para casa. Numa loja de animais nenhum destes pontos se verifica. Pior, a experiência dita que os cães que vão "parar" às lojas de animais são o fruto de cruzamentos irresponsáveis e pouco planeados por parte de particulares, que não têm conhecimentos sobre cães nem instalações adequadas para a sua manutenção e que procuram desfazer-se deles o mais cedo possível, de modo a não ter despesas com alimentação, vacinas e outros tratamentos, já para não falar nos intermináveis chichis e cócós. Os cães que aparecem provenientes de países de Leste têm atrás de si histórias confrangedoras de abusos e maus tratos aos animais. A criação de cães em baterias em caves escuras existe. A manutenção dos animais em condições sanitárias deploráveis existe. A eutanásia de cães que já não servem para reprodução existe.

Saiba portanto como o seu cachorro, que vai fazer parte da família nos próximos 10 anos, foi criado. Os bons criadores NUNCA vendem os seus cães a lojas. Um bom criador preocupa-se com os seus animais, pelo que precisa conhecer os candidatos a donos e avaliar das suas condições antes de deixar sair um cachorro que viu nascer e que cuidou com o maior cuidado durante pelo menos 2 meses. 

NÂO COMPRE EM LOJAS DE ANIMAIS OU OUTROS INTERMEDIÁRIOS

Um cão comprado numa loja dificilmente será um bom exemplar da sua raça e poderá não ter as vacinas em dia (ou ter sido vacinado demasiadamente cedo, o que vem a dar no mesmo).  A convivência com outros animais de proveniências diversas favorece o aparecimento e disseminação de doenças (para quem tem crianças, não adoecem elas sempre quando vão para o infantário, por muito saudáveis que tenham sido até então?), com consequências materiais desagradáveis e, por vezes, sequelas em termos de saúde para toda a vida.  Por outro lado, uma vez efectuada a compra, o vendedor só quer é ver o cachorro e seus donos "pelas costas" e não está na disposição de perder tempo a esclarecer dúvidas. E, "last but not least", um cão adquirido directamente ao criador é muitíssimo mais barato (lojas há que têm margens de lucro de 100%. Nada mau para quem, na esmagadora maioria dos casos, se limita a fazer um telefonema ...)

No caso concreto de um Bobtail, um cão proveniente de linhas seleccionadas tem reconhecidamente um pêlo mais fácil de tratar, pelo que, caso adquira um cachorro "sabe-se lá aonde" , comece desde logo a contar com mais despesas em tosquias ou mais bolhas nas mãos ... 

Sem dúvida, adquirir um cachorro num criador responsável permite poupar muito dinheiro e preocupações. 
 

Pedi uma lista de criadores ao Clube Português de Canicultura  e só me deram uma lista de canis.  O que devo fazer ?

Pedir uma lista de criadores ao CPC é, realmente, um dos passos a dar no sentido de conhecer criadores da raça desejada. Não se assuste com os "canis": em português, "canil" é simplesmente um lugar onde se guardam cães, vários cães. Assim, os criadores, sobretudo se possuem afixo, são referenciados como "canis". Se pedir o nosso contacto, verificará que somos referenciados como "canil SeaLords". Isso não quer dizer nem que recolhemos cães abandonados nem mesmo que os nossos cães vivem em canis (bem pelo contrário), simplesmente que temos vários cães. A língua francesa nesse aspecto é mais explícita, já que faz a distinção entre "chenil" (canil propriamente dito) e "élevage" (local de criação, criador).

Devido à conotação negativa do termo, verá que alguns criadores adoptam o pomposo nome de "Centro de Canicultura". São normalmente criadores que criam em larga escala e, dessa forma, terá mais hipóteses de ver os cães efectivamente fechados em canis...

NOTA IMPORTANTE: A lista fornecida pelo CPC NÃO é uma lista de criadores recomendados. É a lista de TODOS os criadores (bons e maus) que regista(ra)m ninhadas (boas e más). É, pois, importante que, depois de ter os contactos dos criadores, combine uma visita para ver como os cães são realmente e como vivem. 

Um cão que se destina a ser parte da família não deve ser criado em série, como um animal de quinta. Prefira criadores que façam poucas ninhadas pois só assim cada cachorro, o seu cachorro,  pode receber a atenção necessária.

Só depois de visitar vários criadores e de ter escolhido o que lhe inspire mais confiança é que se deve decidir a adquirir um cachorro.

Se procurar criadores na net, nos jornais ou nas revistas tenha atenção à redacção dos anúncios e aos truques publicitários, que muitas vezes por si só permitem avaliar do tipo de pessoa que coloca os cachorros à venda (consulte a nossa recolha de anedotas de anúncios). Por exemplo, "excelente LOP" não quer dizer rigorosamente nada. Também não é pelo facto de aparecer um outro Campeão no pedigree que o cachorro é melhor, isto porque, para além de muitos Campeões o serem por favorecimento, o facto de um cão ser bonito não quer dizer que os seus filhos o sejam  (não se passa o mesmo com as pessoas?) Aliás, se para se ter Campeões bastasse cruzar Campeões toda a gente poderia criar Campeões, não?
 

Fui visitar um criador e pedi para ver os pais da ninhada. Ele mostrou-me a mãe mas o macho pertence a outra pessoa e não estava lá. Achei isto um pouco estranho, tanto mais que a maioria dos anúncios refere que ambos os pais estão à vista. O que pensar? 

É normalíssimo que um criador, um verdadeiro criador que se preocupa em criar bons cães, recorra a machos pertencentes a outros criadores. Não deve, pois, estranhar o facto de o macho não se encontrar no mesmo local, bem pelo contrário, tome isso como um bom sinal. Deverá é desconfiar se ambos os pais estiverem presentes !!! Quem usa sistematicamente o cão lá de casa com a cadela lá de casa normalmente só está interessado em fazer uns cachorros para vender, sem quaisquer outras preocupações. Quem tem como objectivo criar cachorros cada vez melhores procura e usa o melhor macho possível, onde quer que ele esteja. De qualquer forma, o criador deverá, se o solicitar, dar-lhe o contacto do dono do pai da ninhada para que o possa visitar, se assim o entender.
 

Para que servem as exposições?

As exposições são lugares privilegiados para os criadores mostrarem o seu trabalho. Permitem comparar o trabalho dos diferentes criadores, seguir os descendentes de um determinado cão ou cadela e escolher um par adequado que colmate as falhas da cadela que tencionamos utilizar para fazer a próxima ninhada.  É também altura para se encontrarem amigos e trocar opiniões com outros criadores. 

Todo o criador que se interesse verdadeiramente pela raça deve pois participar em Exposições, pelo menos naquelas em que o juiz que oficia é especialista e cuja opinião tem, portanto, valor.  Particularmente procurados e respeitados são aqueles juizes que criam ou já criaram a raça e que julgam frequentemente e têm conhecimento do nível da raça em diferentes países.  

Para o particular, é a oportunidade de conhecer o real valor do seu cão e saber quais os seus defeitos (e tenha em conta que todos os cães, mesmo os grandes Campeões, têm defeitos). 
 

Porque é que os cachorros são tão caros?

Criar bons cães de raça é uma actividade muito dispendiosa. Infelizmente, a grande maioria das pessoas não se apercebe  das despesas envolvidas e seus montantes. Eis algumas despesas a considerar:

Despesas gerais:

- amortização e manutenção de instalações e equipamento

- limpeza e desinfecção de instalações

- aquisição dos reprodutores

- alimentação e cuidados veterinários de todos os cães presentes no canil (vacinações, desparasitações internas e externas, análises de rotina, problemas de saúde imprevistos)

- equipamentos e material de grooming (mesa, escovas, pentes, champôs, condicionadores)

- despesas com exposições (inscrições, deslocação, refeições, estadia em hotel)

- despesas com despistes de doenças genéticas (displasia da anca e outros problemas ortopédicos,  doenças oculares, hipotiroidismo, etc)

- despesas com a aquisição de bibliografia e quotizações de clubes/associações cinófilas

- tempo, tempo, tempo

 

Despesas relacionadas com a ninhada:

- seguimento de cio

- viagem até ao domicílio do macho escolhido (mais estadia)

- valor da cobrição

- inseminação artificial

- ecografia para diagnóstico de gestação

- comida adicional durante a segunda metade da gestação e, sobretudo, durante a lactação (que pode chegar a 4 vezes a quantidade normal em período de manutenção)

- aquisição de uma caixa de parto, de tamanho adequado e devidamente concebida para evitar esmagamento e asfixia de cachorros

- lavagem diária dos materiais usados como cama para os cachorros e sua mãe

- limpeza e desinfecção diária da caixa de parto

- limpeza e desinfecção da maternidade/parque dos cachorros

- aquecimento da sala escolhida para maternidade e manutenção de uma higrometria adequada

- aquecimento adicional na zona de descanso dos cachorros (lâmpadas de infra-vermelhos e/ou sacos de água quente que precisam ser mudados no mínimo 4 vezes por dia)

- alimentação dos cachorros

- desparasitações (pelo menos 3/4) da mãe e dos cachorros

- vacinação dos cachorros

- colocação de microchip

- registo no CPC

- despesas veterinárias extras com assistência a eventuais distócias, com ou sem cesariana

- despesas extras em medicamentos em caso de metrite ou mamite

- possibilidade de ter de recorrer a aleitamento artificial em caso de morte, doença geral, agalaxia, mamite ou produção insuficiente de leite por parte da mãe

- tempo, tempo, tempo:

  • vigilância 24/7 durante pelo menos os primeiros 15 dias de vida, para evitar esmagamentos ou afastamento dos cachorros das fontes de calor e verificar se todos mamam convenientemente

  • check-up diário à mãe (medição da temperatura, verificação da natureza do corrimento, controlo do estado das mamas e qualidade do leite)

  • pesagem diária dos cachorros e identificação precoce de problemas no desenvolvimento dos cachorros

  • sociabilização dos cachorros

Quando lhe propuserem para venda um cachorro "barato" investigue bem quais foram os cortes efectuados nas despesas, e em que despesas ...

 

Não quero levar o meu cão a exposição, quero um cachorro que não seja muito caro.

Se decidiu adquirir um cão de raça, tenha em atenção que ser puro e ser de qualidade não são sinónimos; a qualidade do cão é tanto maior quanto mais se aproximar do estalão da respectiva raça; tenha em conta, no entanto, que o cachorro é muito diferente do adulto, pelo que só um criador experiente, que tenha seguido o crescimento completo de vários cachorros, pode ter uma noção de como será em adulto e portanto avaliar a sua qualidade.

    O preço do cão deve estar de acordo com a sua qualidade; desta forma, não há um preço "para a raça". Se fizer vários contactos, poderá verificar que, em todas as raças, os preços variam entre os 100 e os 1000 euros, ou mais! Se alguém lhe pedir um valor elevado (mais de 300 euros, o que cobre amplamente os gastos com uma ninhada vulgar de um particular), não se deixe levar por frases banais e para enganar pessoas com poucos conhecimentos sobre cães de raça, tais como "são todos muito lindos", e peça para lhe explicarem as qualidades do cachorro. Poderá assim avaliar se a pessoa que lhe propõe o cachorro percebe realmente de cães ou apenas "copia" o preço dos cachorros criados por criadores experientes, mas sem as despesas, os cuidados e os conhecimentos que estes têm. 

    Um "cão de exposição" (ou antes, um cão de "qualidade exposição") é um cão que tem todas as características da raça (e portanto pode concorrer e tirar bons resultados em exposição, caso o dono assim queira). Um cão que não é de exposição é pura e simplesmente um cão com defeitos - e defeitos, num cão de raça (como já foi dito mas nunca é demais salientar), significam desvios ao estalão, tais como colorações ou manchas não permitidas, cabeças estreitas ou compridas, prognatismo ou enognatismo, falta de dentes, maus aprumos, dorsos compridos, etc, e não que o cão é zarolho ou tem 3 patas ou mesmo que não é puro ... Afinal procura um cão de raça ou apenas um cão que se parece vagamente com um cão de raça? (veja aqui a diferença entre um bom cão de raça e um cão vulgar) Um cão de "qualidade exposição" é também um cão que acima de tudo é saudável. Ao "fugir" de um bom cão de raça pode acabar por ter entre mãos um cão com problemas físicos (displasia, etc) ou de carácter (agressivo, nervoso, tímido) que lhe trará muitas despesas e muitos dissabores.

    Tenha também em atenção que, com vista a preservar a qualidade da raça (e tenha em conta que uma raça é um património da Humanidade e, como tal, deve ser preservada), apenas os cães de "qualidade exposição" devem ser usados para reprodução, pelo que se tiver intenções de se dedicar à criação deve procurar o melhor cão que puder comprar. 

    De qualquer forma, deve pensar que a aquisição de um cachorro é uma despesa extraordinária, que não repetirá, em média, nos 10 anos seguintes. O custo real anual será pois apenas 1/10 do custo de aquisição (ou seja, entre 50 a 100 euros por ano, menos de 30 cêntimos diários, bastante menos que um café ou um maço de cigarros ...).  Atendendo a que os custos de manutenção rondam os 500 euros, ou mais, anuais  (independentemente da qualidade do cão), perceberá facilmente que não há motivo para procurar pechinchas, que, aliás, as mais das vezes revelam surpresas muito desagradáveis ... 

    O barato sai caro, e a qualidade tem um preço


     


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